Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

A Fé política, o magma que está por trás de todo o pensamento e postura cidadã, é como qualquer Fé: Cega e louca.

 

Os Sacrifícios pelo bem colectivo exigem uma abnegação altruísta semelhante ao religioso perante o seu Deus. É na desigualdade das proporções, no divino e no vivo, no invisível e no visível, no sentir e no imaginar que um procura pelo limitar consciente das suas possibilidades a emulação da transcendência para além da racionalidade.

 

Porém, errado está aquele que não sente o paradoxo que une o altruísmo e o individualismo. A glória do mártir pode trazer mais prazer que a segurança do cauteloso medíocre e é perante essa preferência que o “pior” pode ser preferível.

 

Num mundo sem barómetro metafísico para avaliar o bem, o sensorial surge como o primeiro critério de avaliação perante qualquer decisão. É portanto natural que esse seja o elemento de perturbação do homem de fé. Pela opulência a qual abdica, pelo carnal que lhe é proibido, o dedo acusador do outro ou da sua própria racionalidade, aponta o vazio e ausência de certezas procurando arrasar a “ilusão” de pureza, procurando arrasar a Fé.  

 

São poucos os elementos para acreditar e o Homem está condenado a ser Homem: Imperfeito. O recipiente humano é bem frágil para segurar tamanha perfeição e a transcendência maniqueísta torna-se um fardo íntimo. O pecado e a imperfeição atormentam o melhor de nós através da culpabilidade. A tentação de renunciar a esse sofrimento, abraçar o seu Ego e embriagar-se da sua animalidade, não possuí nenhum adversário senão a própria Fé.

 

É essa a batalha silenciosa que decorre em muitos de nós e são muitos os elementos externos que pretendem influenciar o desfecho dessa luta.

 

A constância na moral só tem equivalente na constância na política. Não me refiro a tecnocracia e a sua gestão racional baseada nos aspectos lucrativos de qualquer decisão política. Desejamos há muito constância nos nossos representantes políticos e solidez moral e patriótica no nosso eleitorado.

Refiro-me a aqueles que, de Esquerda ou de Direita, estão dispostos a qualquer sacrifício sensorial individual pela primazia dos seus princípios ideológicos.

 

A Fé do Democrata ou de qualquer indivíduo que coloca o bem colectivo como superior baseia-se no rosto metafísico do Povo. A Fé do individualista reside na crença da metafísica do seu Ego. Ambos procuram destruir a figura divina do outro apontado para as falhas e ausência de provas que cada um apresenta respectivamente. A razão pela qual conseguem fazê-lo com tanta eficiência é porque ambos partilham a esquizofrenia dos dois raciocínios. O homem do colectivo já foi atormentado pelo individual e o homem do individual já foi
atormentado pelo colectivo. Porém ambos manifestam-se, embora muitas vezes inconscientemente, como representante de um dos dois.

 

Como homem de Esquerda o meu alvo filosófico principal, a matriz do meu raciocínio, reside na crença na Humanidade na sua dimensão colectiva. É portanto nesse sentido que me apontam as falhas do meu dogmatismo e linearidade. Apresentam-me provas do pior do humano, dividem a sociedade entre virtuosos e pecadores e colocam em maioria os que vivem do sensorial independentemente dos outros. Procuram destruir qualquer fé na construção civilizacional colectiva e sugerem a liderança de um grupo de privilegiados livres de qualquer moral pois são cães a mandarem em cães. Essa fatalidade é uma jaula confortável na qual muitos procuram aprisionar-me.

 

Sou a Esquerda arrogante.

Sou hipócrita ou insano.

Sou megalómano e patético.

 

Cada um poderá responder da forma que entender perante este assalto ideológico. Cada um poderá mudar ou manter-se. Afirmo aqui que qualquer racionalidade política de Esquerda é construída sobre as bases de uma profunda história de Amor. Como qualquer paixão essa é sim egoísta, como qualquer paixão é cega e imperfeita. Assumo-a até ao limite e sonho-a eterna. É do seu calor que me aqueço e é por ela e por mim que me mantenho irremediavelmente fiel apesar de tudo.

 

É esta a mensagem identitária que quero para o “Civismos”.

Quem discursa política desprezando a Fé política não poderá obter aqui nada mais do que uma resposta formal. Quem assumir a sensibilidade e fraqueza da sua impalpável moral é aqui bem-vindo, seja qual for o seu “Deus”.

Permitam-me apresentar-vos os pormenores do meu neste espaço através dos meus textos.

 

publicado por Mrego às 16:58
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1 comentário:
De Ricardo Cruz a 6 de Fevereiro de 2012 às 23:42
Genial, controverso e emocionante Caravaggio. Um dos meus favoritos... Parabéns por mais uma bela escolha de imagem, sem esquecer o texto.

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